A direita outsider brasileira e suas lideranças personalistas

Busca por soluções fáceis para problemas complexos e postura contra a esquerda e o sistema movem políticos na recente história eleitoral do Brasil

Por Alessandro Farage Figueiredo*  e Fábio Metzger**

Junto ao impeachment de Dilma Rousseff (PT) e à crise política e econômica, o Brasil passou a viver a popularização do deputado federal Jair Messias Bolsonaro, atualmente do Partido Social Liberal (PSL), mas que já passou por uma vasta gama de siglas de direita, como PSC, PP, PFL, PTB, PPB, PPR e PDC.

E que até o começo de 2018 pretendia se filiar ao pequeno Partido Ecológico Nacional (PEN), que se converteria em uma nova sigla chamada Patriota para atender melhor o seu perfil político, mas a relação acabou não avançando. Desde o impeachment em 2016, Bolsonaro sai às ruas como pré-candidato à Presidência da República.

A campanha do ex-capitão do exército Bolsonaro se baseia em uma combinação de fatores ideológicos que caem bem para um eleitorado de fortes tendências direitistas e/ou desacreditado da política de um modo geral.

Suas principais pautas de pré-candidatura se dão pelas seguintes agendas: 1) o contra-ataque político à esquerda, especialmente após 13 anos de governos liderados pelo lulopetismo (PT), finalizados em uma profunda crise econômica e política; 2) a defesa de uma matriz econômica de livre mercado, defesa intransigente da propriedade privada, porte de armamentos, destatizações de setores não estratégicos e maior abertura comercial, depois do que teria sido uma má gestão nacionalista desenvolvimentista da esquerda nos governos anteriores;

3) o ataque à corrupção, diante de um sistema partidário bastante desacreditado, em que os principais partidos políticos estão sendo acusados de envolvimento em fortes esquemas de pagamentos de propinas e apropriação de dinheiro público; e 4) a adoção de uma agenda de costumes conservadora, intolerante às diferenças, perante uma ideia de um país institucionalmente frouxo e permissivo e que por isso estaria permitindo um desvio de rota para crises sociais.

Tal agenda política se resume em seu slogan místico de direita nacionalistaBrasil acima de tudo e Deus acima de todos”, que de certo modo absorve a lembrança do famoso movimento conservador católico Tradição, Família e Propriedade (TFP) do historiador, jornalista e ex deputado constituinte (1934) Plinio Corrêa de Oliveira e que ainda assim engloba aspectos do eleitorado evangélico.

É importante notar que o conjunto dessas pautas, apesar de identificar enquanto inimiga maior a esquerda, não a está apenas atacando. Mas, sim, o sistema como um todo. E, nesse caso, essa concepção iria além dos partidos como PT, PSOL, PCdoB etc.

Inclui também mais legendas de centro como PMDB, PSDB, todos os aliados dos tucanos e petistas, e assim por diante. A ideia da “independência”, do “apartidarismo”, da “antipolítica” e da busca de uma solução fácil é o que move não apenas Bolsonaro e seus seguidores, mas outros políticos da direita outsider, ao longo da recente história eleitoral do Brasil.

 

*Alessandro Farage Figueiredo é cientista político, jurista, sociólogo e demógrafo. Pós-doutorado em Desenvolvimento Internacional pela University of Denver. Pós-Doutorando em Ciência, Tecnologia e Educação pelo Cefet/RJ.

**Fábio Metzger é cientista político, historiador, sociólogo e jornalista.

 

Para ler esse texto na íntegra, compre a revista Sociologia – Ed. 75