A quantas anda a gestão de Donald Trump?

Apenas no seu primeiro ano de mandato, o presidente estadunidense Donald Trump criou um caos contínuo, não somente nos EUA, mas no mundo inteiro.

Por Stephen Sinsley / Adaptação Web Rachel de Brito

 

No seu primeiro ano de mandato, o bilionário psicopata, racista, e womanizer, presidente estadunidense Donald Trump criou um caos contínuo, não somente nos EUA, mas no mundo inteiro, na forma de seus pronunciamentos, no uso que faz de sua conta no Twitter, na sua retórica bombástica e de expressões como “fake news” e “an act of war”, e através de atitudes e provocações impopulares tanto na política doméstica quanto internacional.

LOBBIES E CORRUPÇÃO

No Congresso dos Estados Unidos, os republicanos querem acabar com a aposentadoria, a assistência médica e a assistência social para os pobres (social security). Trump também quer eliminar o “State Tax”, que é um imposto sobre propriedade dos super-ricos e que afeta apenas as pessoas integrantes da parcela do 1% da população, os bilionários ou super-ricos. Estes, em sua imensa maioria, pagam pouquíssimos impostos sobre os seus rendimentos ou até nem pagam.

Todos os anos, os senadores (principalmente os republicanos, mas também muitos democratas) recebem centenas de milhares de dólares dos lobbies médico, farmacêutico, e dos seguros de saúde, das armas, entre outros, para garantir que não haja restrição sobre os preços que os hospitais e as empresas farmacêuticas possam cobrar. É por essa razão que tanto no sul do país quanto no norte, ônibus cheios de pessoas idosas se destinam ao México e ao Canadá para comprar medicamentos dos mesmos fabricantes, mas que custam a metade do preço que eles pagariam nos EUA.

Entre os lobbies mais poderosos estão os de armamentos e o sionista, representando os multibilionários que financiaram a campanha eleitoral de Trump, como Sheldon Adelson (o proprietário de cassinos em várias partes do mundo) e o poderoso AIPAC – comitê de ação política americano/israelense. Os gastos com lobby da AIPAC aumentaram substancialmente durante a campanha presidencial de 2016, chegando a 3,6 milhões de dólares. O AIPAC é parcialmente responsável pelo movimento no Congresso contra o boicote de produtos israelenses BDS – boicote, desinvestimento e sanções, movimento declarado ilegal em vários estados americanos que submetem os que boicotam a multas e até prisão.

A corrupção aumentou na Era Trump?

De acordo com uma pesquisa realizada pela Transparency International, um organismo de controle da corrupção global, seis em cada dez pessoas acreditam que a corrupção aumentou nos últimos doze meses. Na última pesquisa publicada em dezembro de 2017, 44% dos americanos dizem que a corrupção é generalizada na Casa Branca, com oito pontos percentuais acima da corrupção do Congresso. “Nossos representantes eleitos não estão conseguindo recuperar a confiança na capacidade de Washington de servir ao povo, em vez disso, eles parecem representar interesses corporativos de elite”, afirmou Zoe Reiter em um comunicado da Transparency International.

Durante a campanha presidencial, Trump prometeu repetidamente “drenar o pântano” (em referência ao Congresso) e acabar com a corrupção institucional nos EUA. No entanto, suas nomeações controversas, sua recusa em liberar declarações de imposto de renda e seus laços com as grandes corporações fizeram com que muitas das pessoas que acreditaram no slogan da sua campanha “make America great again” começassem a duvidar da sua determinação.

Segundo o Transparency International, essa pesquisa baseou-se em entrevistas telefônicas assistidas por computadores e realizadas com mais de mil adultos entre outubro e novembro de 2017 com uma margem de erro muito pequena.

AUMENTA A CRISE ISRAELENSE

A força sionista, que defende o direito à autodeterminação do povo judeu e à existência de um Estado judaico independente, no governo Trump cresce na mesma proporção da crise international, que aumentou com a decisão do governo dos Estados Unidos em reconhecer Jerusalém como a capital de Israel.

A decisão foi condenada pelos países muçulmanos que apoiam uma solução binacional para a crise israelense-palestina, e que são contra os planos sionistas para judaizar Jerusalém.

Seis dias depois da controvertida decisão de reconhecer Jerusalém como a capital de Israel, o Hamas anunciou o início do terceiro protesto, seguindo as manifestações anteriores de 1987-1993, e de 2000-2005, que deixaram mortos centenas de israelenses e milhares de palestinos.

De acordo com a organização islâmica palestina, que governa a Faixa de Gaza, espera-se que os protestos contra a decisão dos EUA aumentem, depois do “dia da fúria”. Os adeptos pró-israelenses do governo Trump incluem o bilionário pró-Israel Sheldon Adelson; David Duke, ex-líder da KKK; Andrew Anglin, fundador do site neonazista Daily Stormer; e o genro de Trump, Jared Kushner (com quem Ivanka Trump se casou depois de ter se convertido ao judaísmo ortodoxo).

Por que Jerusalém não é a capital de Israel?

No dia 6 de dezembro de 2017, Trump começou o processo para mover a embaixada dos EUA de Tel Aviv para a cidade de Jerusalém, decisão essa que desencadeou a condenação dos líderes mundiais, já que o status de Jerusalém continua a ser um dos pontos centrais nos esforços para resolver o conflito palestino-israelense.

Como sabemos, a parte ocidental da cidade sagrada havia sido capturada na guerra árabe-israelense de 1948. No final da Guerra de 1967 contra a Síria, o Egito e a Jordânia, Israel ocupou a parte oriental de Jerusalém. A ocupação israelense de Jerusalém, colocando toda a cidade sob o controle israelense de fato, não é  reconhecida pela comunidade internacional, incluindo os governos dos EUA antes de Trump. Em 21 de dezembro do ano passado, a ONU se posicionou em sua Assembleia Geral com 193 membros. Apenas nove países votaram contra a resolução que condena os EUA pela sua equivocada decisão (128 a favor da condenação e 35 abstenções).

É interessante observar que diante do aumento de manifestações neonazistas nos EUA, os líderes israelenses, incluindo Netanyahu, têm se mantido em silêncio. Nada foi dito sobre violência em Charlottesville, Carolina do Norte, o que é estranho, uma vez que Israel é rápido e está sempre pronto a explorar eventos internacionais para tirar vantagem própria. Depois de três dias de silêncio, Netanyahu, finalmente, twittou uma condenação geral do antissemitismo, neonazismo e racismo, sem no entanto mencionar especificamente Charlottesville.

A AMEAÇA DE UMA GUERRA NUCLEAR

“Se temos bombas atômicas, por que não podemos usá-las?”, perguntou Trump mais de uma vez nesse último ano, preocupando até um ex-diretor da CIA. A ameaça de uma guerra nuclear, no entanto, não é nova, embora tenha se tornado mais iminente nos discursos de Trump, principalmente em relação à Coreia do Norte. (Para ler esta matéria na íntegra, adquira já a edição 75 da revista SOCIOLOGIA)