Café e sociologia com Cristiano das Neves Bodart

Confira entrevista com editor do blog "Café com Sociologia"

Por Daniel Rodrigues Aurélio | Foto: Cassiane Ramos Marchiori | Adaptação web Isis Fonseca

Bodart

No dia 27 de fevereiro de 2009, o sociólogo e professor Cristiano das Neves Bodart criou o blog Café com Sociologia, com o objetivo de ser um arquivo de seu material como professor de Sociologia.

Alguns meses antes, em junho de 2008, o presidente em exercício da República, José Alencar (1931-2011), sancionou a Lei nº 11.684, que incluía as disciplinas de Sociologia e Filosofia na grade curricular obrigatória do ensino médio.

De lá para cá, muita coisa aconteceu, e no meio desse caminho de descobertas das potencialidades da internet, entre as quais sucessivas crises políticas e ameaças ao pensamento emancipador, como o ultraconservador movimento Escola sem Partido e a reforma do ensino médio do governo Temer, Bodart convidou Roniel Sampaio Silva para ser coeditor do blog em 2012.

A iniciativa de Bodart – doutor em Sociologia pela USP e atualmente docente da Universidade Federal de Alagoas (UFAL) – transformou-se em podcast, revista
eletrônica (http://revistacafecomsociologia.com/revista/index.php/revista) e página no Facebook, esta com mais de 168 mil curtidas até o fechamento da publicação.

Tendo como lema uma frase de Pierre Bourdieu (“Não há democracia efetiva sem um verdadeiro poder crítico”), o blog tornou-se uma das referências para quem pretende entender a arte de lecionar Sociologia, bem como um acervo notável de artigos, matérias e outros subsídios para professores.

Para começar, conte nos os motivos para ter escolhido as ciências sociais como formação e ofício. Você teve alguma inspiração em especial?

Cheguei às Ciências Sociais buscando ser professor de Geografia. Tive a felicidade de ter, no ensino médio, uma professora de Geografia “diferenciada”. Tratava-se da professora Euzineia Carlos (hoje docente na Universidade Federal do Espírito Santo), que sendo formada em Ciências Sociais acrescia aos conteúdos de Geografia Humana uma análise sociológica encantadora (anos depois entendi o porquê de aulas tão ricas). Assim, por influência de suas aulas, desejei me tornar professor de Geografia.

Nessa época eu residia no sul do estado do Espírito Santo, na cidade de Piúma, e na região não havia oferta do curso de Geografia. Buscando me informar onde aquela professora brilhante havia feito sua graduação, tomei conhecimento de que ela havia cursado licenciatura em Ciências Sociais e que lecionava Geografia amparada por um decreto estadual, em vigor na ocasião. Soa bem estranho, mas entrei no curso de licenciatura em Ciências Sociais focado em me tornar professor de Geografia.

Durante a graduação me encantei pela Sociologia, porém o mercado de trabalho para professores dessa disciplina era praticamente inexistente. No ano de 2001, ainda durante o curso, comecei a lecionar no ensino fundamental I as disciplinas de História e Geografia. Em 2002 passei a lecionar Geografia no ensino  fundamental II, ano de conclusão da graduação.

Embora estivesse encantado pela Sociologia, senti a necessidade de me aperfeiçoar na Geografia, já que, na ocasião, era meu campo de atuação. Fiz especialização em Geografia do Brasil (2002-2003) e mestrado em Planejamento Regional e Gestão de Cidades (2007-2009).

Durante esse período cursei a especialização em Ciências Sociais e Religião. Até o ano de 2006 lecionei Geografia, período em que a Sociologia começa a aparecer no currículo escolar das escolas do interior do Espírito Santo (a despeito da Lei Estadual nº 6.649, publicada no Diário Oficial do Estado do Espírito Santo aprovada desde 16 de abril de 2001).

Passei a lecionar Sociologia quase que exclusivamente, sobretudo a partir de 2009, quando a carga horária de Sociologia (agora fundamentada em sua obrigatoriedade nacional) se expandiu na Escola Estadual F. M. Profª Filomena Quitiba, onde eu trabalhava, o que possibilitou retomar meu foco na Sociologia. Contudo minhas leituras eram, quase sempre, no campo da Sociologia.

No mestrado minha abordagem analítica já havia tomado o caminho da Sociologia. Ao me reaproximar da Sociologia, fui lecionar também no ensino superior, momento em que decidi fazer o doutorado em Sociologia, o que ocorreu entre os anos de 2012 e 2016 na Universidade de São Paulo (USP), interesse que nutria desde a graduação.

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