Entenda a origem do PCB, PCdoB e PPS

Cizânias hierárquicas, teóricas e burocráticas

Por Dr. Alessandro Farage Figueiredo e Dr. Fábio Metzger | Adaptação web Tayla Carolina

Com a vitória da Revolução Marxista-Leninista no antigo Império Russo, o surgimento de Partidos Comunistas ao redor do mundo virou um fenômeno substancial, equiparado até então somente à disseminação de Partidos Socialistas, Movimentos Anarquistas e Nacionalistas na Europa após a Revolução Industrial.

Contudo, devemos salientar um erro bastante comum que é o de confundir os Partidos Comunistas de base marxista-leninista com outros movimentos e partidos socialistas já existentes na época, quer sejam de inspiração marxista ou não.

Visto que os Partidos Comunistas Leninistas possuem uma base teórica em Lenin e seus seguidores, que é bastante discrepante de outros modelos socialistas, inclusive de Karl Marx, no qual o leninismo se inspirou mas não copiou de fato.

O Brasil foi influenciado por esse fenômeno político global, de maneira que em pouco tempo surgiu o Partido Comunista Brasileiro (PCB) no conturbado cenário político de fim da República Velha, de matizes positivistas, e a implementação do Estado Novo de Getúlio Vargas com suas feições caudilhistas.

Nesse ponto histórico, o PCB acabou por se beneficiar de três fenômenos culturais desse cenário político:

1) Os militares estavam fortemente envolvidos na política de tal maneira que existia grupos mais liberais, nacionalistas, e outros tantos, significativos, que se aproximaram do comunismo, como Agildo Barata, Leônidas Cardoso e Luís Carlos Prestes;

2) A teoria marxista-leninista teve, nesse contexto, uma forte adaptação perante os militares simpatizantes do comunismo ao positivismo de Comte, com a ideia de uma Física Social, ao mesmo tempo que estes aplicavam o conceito de evolução social e a teoria das elites com a ideia de “Vanguarda Revolucionária”;

3) A recém-criada União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) começava a elaborar todo um aparato de apoio aos partidos políticos e movimentos sociais aliados no exterior.

 

→ O Urso de Stalingrado

 

Nesse sentido, o modelo de Estado forte, centralizador e militarizado que surgia na URSS conquistava bastante simpatia no imaginário político-militar brasileiro, seja entre os positivistas, integralistas ou até mesmo entre os caudilhistas, de maneira que até o anticomunista Getúlio Vargas (que estabeleceu um período ditatorial de 1937 a 1945, a pretexto de combater comunistas e liberais) chegou a tecer elogios ao socialismo no período.

Essa simpatia militar se manteria até o fim do regime militar de 1964, em 1985, em figuras como os capitães Carlos Lamarca, Luís Carlos Prestes e outros, sendo a maior parte ligada direta ou indiretamente aos partidos comunistas e/ou a seus movimentos dissidentes ou paralelos.

Obviamente que todo esse diálogo social entre a formação de um Partido Comunista Brasileiro e os políticos da época fez com que o marxismo-leninismo entrasse no Brasil como uma grande releitura com fortes traços do
coronelismo, como o mandonismo, clientelismo, personalismo e patrimonialismo.

Por décadas, por exemplo, tanto as suas atividades políticas oficiais como as revolucionárias ficaram centradas em Luís Carlos Prestes, o Cavaleiro da Esperança, de modo que a própria história dele encarnava a imagem de um típico líder com traços de caudilho que adotava o comunismo como ideologia central.

Ironicamente, Prestes termina sua vida política saindo do PCB e se tornando importante membro do PDT, partido
em que historicamente se fizeram presentes importantes líderes caudilhistas, como Leonel Brizola, partido que se tornou herdeiro na prática do getulismo e janguismo.

 

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