Entrevista com Humberto Dantas sobre democracia

O cientista político Humberto Dantas tem trabalhado em várias frentes pelo Brasil, contribuindo para a educação política e a formação de consciências democráticas

Por Daniel Rodrigues Aurélio* | Adaptação web Tayla Carolina

Humberto Dantas de Mizuca é realmente um sujeito incansável. Graduado em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo, com mestrado e doutorado em Ciência Política também pela USP, Dantas é blogueiro do Estadão e sua presença é sempre requisitada em emissoras de rádio e de TV: CBN, TV Cultura, Globo News, Band, Record News, Rede TV, TV Câmara, Jovem Pan.

Na Rede Vida, elaborou programas sobre democracia, cidadania e o clássico conjunto de direitos civis, sociais e políticos. Além disso, apresentou ao público detalhes sobre como funciona a política institucional. Na Rádio Canção Nova, era a voz do “Despertar da Cidadania”.

O cientista político tem atuado como professor, pesquisador e palestrante de Ciência Política, Democracia, Cidadania e Educação Política em diversas ONGs, empresas e instituições de ensino superior, tais como a Fipe, o Insper, a Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, Idesp, Movimento Voto Consciente, Johnson & Johnson, Itaú-Unibanco, Fecomércio-SP.

Colabora ainda com assessorias e cursos para Assembleias Legislativas e Câmaras de Vereadores pelo país. Integrou a Comissão de Justiça e Fé na Arquidiocese de São Paulo e, entre 2010 e 2011, foi superintendente da Fundação Mario Covas.

Seu bordão mais conhecido é o “avança democracia!”. Você acredita que a democracia é um processo que está em constante aperfeiçoamento, apesar das pedras no caminho?

Sem dúvida alguma. Mesmo onde as pedras já são menores é possível dizer que a democracia está em eterno processo de transformação. E se ela vai se moldando ao tempo e se fazendo com o tempo, respeitando alterações na sociedade e transpondo desafios, o objetivo, o ideal, é que sempre avance.

Por isso, a despeito dos imensos problemas que temos e dos desafios de educarmos politicamente as pessoas, passei a utilizar o termo “avança democracia” em minhas inserções na Rede Vida no ano em que fui colunista do Jornal do Trem, em algumas outras publicações e, sobretudo, nas redes sociais.

A propósito, como tem caminhado a democracia no Brasil?

Temos avanços históricos dos mais expressivos desde a década de 1980. Costuma-se chamar esse período de a década perdida no Brasil. Do ponto de vista econômico concordo que tenha sido, mas não do ponto de vista político, quando construímos nossas instituições formais que dão sustentação ao nosso projeto democrático.

Claro que falta aprimorar a relação com esses processos, ou seja, o que poderíamos chamar de instituições informais, que são nossos costumes, nossa cultura, nossas práticas. O arcabouço legal para o funcionamento da democracia existe no Brasil, a forma como lidamos com ele é onde pecamos mais.

Assim, por exemplo, existe garantia de liberdade de expressão e de imprensa, pressupostos básicos para a democracia, mas não necessariamente isso é respeitado por governantes.

Já fui ameaçado por um secretário de estado, do qual não me convém mencionar nome nem unidade federativa, sobre um comentário que fiz na rádio em que trabalhava. Isso é só um exemplo, mas o Brasil é um dos países onde mais se mata jornalista no mundo.

Algo infinitamente mais grave. Temos que avançar na relação entre público e privado, pois ainda temos profundas dificuldades de separar as coisas. Isso são desafios que exigem justiça e valores.

Nossa justiça ainda está longe demais de dar as respostas que a democracia demanda em todas as suas esferas, e nossa cultura ainda é frágil. São desafio que vão sendo vencidos, e a lucidez da sociedade para a democracia enquanto um valor presente em nosso cotidiano é essencial.

 

*Daniel Rodrigues Aurélio é sociólogo, escritor e editor, graduado em Sociologia e Política pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, mestre em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC-SP, especialista em Globalização e Cultura e em Sociopsicologia pela EPG/FESPSP, além de MBA em Book Publishing pela Faculdade de Letras do Instituto Singularidades/Casa Educação. É autor, entre outros, dos livros Bibliografia básica: a coleção Grandes Cientistas Sociais no contexto da expansão do ensino superior após a Reforma Universitária de 1968 (Luminária Academia) e Anarquismo: a história da luta contra toda forma de opressão (Discovery Publicações). Presta consultoria para as maiores editoras de livros didáticos do Brasil. É sócio ativo da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e diretor da Barn Editorial. E-mail: daniel@barneditorial.com

 

Para ler esse texto na íntegra, compre a revista Sociologia – Ed. 75