Quem quer ser presidente?

Por Daniel Aurélio | Adaptação web Tayla Carolina

Em entrevista para o periódico El País, o cientista político Bolívar Lamounier resumiu a situação:

“O quadro para as eleições é pior do que 1989, é de uma patética mediocridade”.

No entanto, deve-se complementar, não é apenas em termos qualitativos que a corrida presidencial de 2018 se assemelha com a tragicomédia de 1989; por conta da interminável crise política e da falta de um direcionamento claro dos partidos em termos de coligações e estratégias, o número de candidatos pode chegar próximo aos 22 concorrentes do pleito que elegeu Fernando Collor de Mello (PRN) quase 30 anos atrás.

Até alianças que pareciam sólidas e com recentes vitórias no currículo (vide as dobradinhas PCdoB-PT e DEM-PSDB) podem ser desfeitas após insinuações e mesmo anúncios de pré-candidaturas solo das respectivas legendas. Analistas políticos e jornalistas que cobrem o dia a dia de Brasília sugerem algo em torno de 18 candidatos na urna eletrônica, a depender da conjuntura social e política – e do poder Judiciário.

Líder das pesquisas, Lula foi condenado em segunda instância pelo TRF-4. Isso conduz a incertezas no xadrez politico. Além disso, o segundo colocado nas intenções de votos, Jair Bolsonaro, depois de hesitar, só recentemente se filiou ao PSL.

Porém, já se apresentaram (ou foram apresentados) como alternativas para ocupar a principal cadeira do Palácio do Planalto: Manuela D’Ávila, Fernando Collor de Mello, Henrique Meirelles, Marina Silva, Ciro Gomes, Geraldo Alckmin (em disputa interna no ninho tucano com João Doria), João Amoêdo, Álvaro Dias, Paulo Rabello de Castro e Guilherme Boulos. No DEM, fala-se em Rodrigo Maia ou ACM Neto.

Cristovam Buarque chegou a se licenciar do Senado para avaliar suas possibilidades. E, apesar dos desmentidos oficiais, o apresentador global Luciano Huck segue em pauta. Além deles, é de se esperar nomes próprios lançados pelo PSTU, PCO, PCB, PRTB e PSDC. A tendência à dispersão de votos pode tornar a disputa ainda mais tensa, midiática e emocionante, mas não necessariamente de alto nível.

 

Revista Sociologia – Ed. 74